3 características básicas de quem quer empreender
- Débora Andrade

- 1 de mar. de 2021
- 5 min de leitura
Atualizado: 17 de mar. de 2021
O empreendedorismo, em momentos de crise, tem sido um caminho muito buscado pelos brasileiros. Diante da situação de desemprego e baixa oferta de empregos para suprir a real demanda do mercado, muitas pessoas veem empreender como a melhor opção para manter uma fonte de renda para a família.
A questão é que empreender não se constrói apenas pela vontade de ter uma fonte de renda. A meu ver, para empreender é necessário buscar alguns caminhos e tomar determinadas atitudes para viabilizar que o empreendimento não seja apenas uma fonte de renda própria, mas para que seja também uma fonte de renda de outras famílias, por meio da geração de emprego e atuação em causas sociais.
Depois de alguns anos apenas sistematizando todos os meus pensamentos empreendedores, comecei a colocá-los em prática. A prática é muito mais difícil do que a teoria. Todavia, uma não anula a outra. Para viabilizar a prática, é importante conhecer e entender a teoria. Lógico que com tantas novas linhas de pensamento sobre gestão e marketing fica difícil acompanhar todas as tendências para o empreendedorismo. Entretanto, trarei pra você três pontos que, a meu ver, são cruciais para garantir o sucesso de um empreendimento.
1. Planejamento
Eu vejo duas situações extremamente opostas no cenário de empreendedorismo brasileiro. A primeira é formada por aquelas pessoas que começam com zero de planejamento. Não sabem quem querem atender, o que querem vender, quais as metas financeiras, qual o custo dos produtos ou serviços ofertados, etc.
Nesse caso, é muito importante sistematizar pontos mínimos que sejam sobre o negócio, para viabilizar que a empresa não fique negativa. É importante entender sobre aspectos básicos de quem são seus clientes e como você vai se relacionar com eles, fontes de receita, custos, recursos, atividades e parcerias principais. Esse planejamento pode ser visualizado de forma simples num modelo de negócios amplamente utilizado que se chama Canva. O SEBRAE inclusive oferece uma ferramenta online para computadores e um aplicativo para smartphones que permite criar o plano de negócios. Para conhecer a ferramenta, clique aqui.
Conhecendo esses parâmetros básicos e fundamentais do negócio, é possível pensar em inúmeras formas de crescimento. É importante dizer aqui que não adianta investir em agências de marketing se você não conhece estes aspectos básicos do seu negócio, afinal, você precisa entender qual é a solução que seu negócio traz aos seus clientes para que eles realmente se engajem com seu conteúdo.
Lembra que tem outro tipo de empreendedor brasileiro, né? O segundo é justamente aquele que planeja demais e não consegue nunca sair do papel. Por muito tempo eu fui esse tipo de empreendedor. Eu, muitas vezes, não consegui colocar em prática aquilo que eu tinha planejado. Em várias situações comecei o plano de negócios com toda alegria e convicção de que daria certo, mas diante da primeira dificuldade (que nem sempre é imaginada ou planejada) eu já me desanimava e não transformava nada do plano em ação.
Se você é como eu, muito cuidado! O planejamento sempre é muito bom, mas apenas a prática vai viabilizar seu negócio! Então comece!!!
Dito isso, o segundo ponto pode ser um caminho para te ajudar, caso você tenha dificuldade de tirar as coisas do papel.
2. Networking e Apoio
Esse segundo ponto é o que vai viabilizar que você tire todo o planejamento do papel. Quando procuramos as redes de contatos (networking), é possível aumentar o alcance do seu negócio. Nesse momento de pandemia, o Instagram tem sido a principal fonte de clientes da maioria das empresas, então esse ponto se torna muito mais visível.
Eu tenho um caso real dentro da minha casa que mostra o quanto o networking ajuda. Meu marido começou uma hamburgueria que apenas faz deliveries. Isso tem apenas um mês e ele já vendeu quase 100 hambúrgueres (e olha que ele só faz os hambúrgueres aos sábados!!). E por que isso? Porque ele se apoiou na família e nos amigos para ajudar na divulgação. Nessa época digital, ninguém vence sozinho. Eu só vencerei como advogada se eu encontrar pessoas capazes de investir no conhecimento que eu tenho a entregar. A minha empresa de moda executiva só vai crescer da forma como eu planejo se eu conseguir convencer minha rede de amizades e colegas de trabalho que é importante a forma como você se veste. Tudo isso se ganha por meio de networking e apoio.
É justamente por isso que eu não vejo com bons olhos a compra de seguidores no Instagram. Seguidores não são clientes e uma empresa precisa de clientes, não de perfis fakes ou de outros países que nunca conseguirão ou nem terão interesse em comprar seus produtos. Mas tem um outro lado da moeda... às vezes pode acontecer de o empresário se sentir sem apoio. Isso aconteceu comigo, aconteceu com meu marido (e olha o quanto ele vendeu em um mês!). O que fazer nesse caso? Valorize as pessoas que estão do seu lado. Não foque sua energia na falta, naqueles que não comparam seus produtos ou naqueles que não contrataram seus serviços. Foque naqueles que te ajudaram e seja grato a eles, por meio de palavras e até por meio de descontos. As formas de lidar com essa sensação são inúmeras e isso me leva ao terceiro ponto que quero tratar hoje.
3. Inteligência Emocional
Muito tem se falado em inteligência emocional e resiliência. Os conceitos são amplamente conhecidos, então não vou me prender neles hoje. A questão é que a inteligência emocional é um ponto importantíssimo quando se abre um negócio. Saber lidar com os problemas que COM CERTEZA aparecerão é a forma de manter seu ânimo próprio e manter sua empresa rodando, além de viabilizar o crescimento.
Como já falei, são várias as formas de criar resiliência e desenvolver a inteligência emocional. Para mim, a terapia foi o que mais potencializou isso em mim. Apesar de eu acompanhar inúmeras pessoas que falavam sobre o assunto, anotar em cadernos e ter todo um conjunto de PDFs com conteúdos que ajudavam a desenvolver inteligência emocional, fazer terapia foi o que mais me ajudou. Tenho que dizer que esse ponto é totalmente relativo e pra você pode ser que outro caminho traga melhores resultados.
Mas na minha vida eu tenho certeza de que hoje eu não teria a disposição que tenho se não tivesse feito terapia. Na verdade, foi lá que eu descobri meu real propósito, que parecia ter ficado perdido diante dos inúmeros caminhos que escolhi pra mim. Hoje eu tenho clareza sobre onde quero chegar e sobre o que quero entregar para a sociedade. Tudo isso graças à terapia.
Não estou querendo, de forma alguma, dizer que sou mais resiliente que outras pessoas, que sou um exemplo de inteligência emocional ou qualquer coisa do tipo. Acredito que a inteligência emocional é um processo interminável. Temos sempre que buscar formas de alcançar um estado emocional que nos chame para a ação e para ser melhores pessoas e empresários. Sendo assim, comece hoje!
Sintetizar o "ser empreendedor" em apenas três pontos é reduzir algo que é impossível de ser reduzido. Contudo, minha intenção neste post é trazer para você um pouco da experiência que eu tive e um pouco do que me permitiu e capacitou no percurso do empreendedorismo. Pode ser que para você outros pontos sejam mais importantes. Pode ser que eu mesma mude de pensamento daqui a uns anos e entenda que outras questões são mais importantes. Um ponto que acredito que deve ser tratado como crucial em qualquer tempo é a inteligência emocional. Através dela, vencer sem planejamento, sem networking e sem dinheiro pode se tornar possível.
Também gravei um vídeo com estes insights. Convido-te a assistir clicando aqui.




Comentários